
‘Comprar um terreno’. Essa é a expressão usada entre os ciclistas, tanto na modalidade de MTB (Mountain Bike) como na de asfalto (Speed), para quem leva um tombo. Pode parecer engraçado e até ser levado na brincadeira, mas cair de bicicleta, independentemente da velocidade, pode trazer consequências sérias ou, até mesmo, custar a vida.
Para ter uma ideia, nos últimos 30 dias, a Santa Casa Ouro Fino recebeu diversos casos envolvendo lesões com ciclistas, algumas graves e até fatais. “Tivemos atendimentos de pacientes com traumatismo crânio encefálico e fraturas sérias, como de colo de fêmur, que exigiu tratamento com cirurgia de urgência e que trará sequelas importantes por toda vida”, contou o Coordenador do serviço de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa Ouro Fino, doutor Túlio Ribeiro de Carvalho.
Entre as lesões mais recorrentes nos acidentes de bicicleta que o hospital recebe são as fraturas dos membros superiores. “Em 1º lugar fraturas da clavícula, seguidas de luxação acrômio-clavicular, fraturas no cotovelo e punho”, explicou.
Ainda segundo o especialista em trauma, as sequelas das lesões podem variar desde o afastamento das atividades por tempo considerável até dor residual, limitação de movimentos da articulação acometida e, ainda, dependendo da gravidade da lesão, pode gerar consequências definitivas. E em alguns casos, como traumatismo crânio encefálico, risco de vida.
E deixou um alerta para os ciclistas que tem costume de pedalar em alta velocidade em estradas de terras e vicinais. “Em geral o ciclista sempre perde em um acidente, sozinho ou em uma colisão com outro veículo, mesmo que esteja com a razão. Um buraco, um desnível, ou até mesmo uma quantidade de terra solta podem provocar quedas violentas ocasionado traumas e fraturas graves tanto em membros superiores como inferiores”.
Saúde e Cuidados
Andar de bicicleta traz inúmeros benefícios para a saúde e, também, para o meio ambiente. Para o médico Dr. Rodrigo Magaldi, Diretor Técnico e Coordenador do Pronto Socorro da Santa Casa Ouro Fino, trata-se de uma atividade recreativa e excelente para o sistema cardiovascular e para as articulações, que permite o contato com a natureza e a cidade, além de ser um meio de transporte rápido, econômico e não poluente.
“Houve um aumento muito grande de ciclistas nos últimos 10 a 15 anos e, portanto, de acidentes. Muitos estão migrando de outros meios de locomoção para a bicicleta, principalmente pelo custo da gasolina que está inviável. Temos que tomar alguns cuidados porque a bicicleta atinge velocidades importantes e uma queda, mesmo em uma velocidade mais baixa pode ser fatal, deixando múltiplas fraturas”, reforçou.
O especialista ainda falou sobre a preocupação com o aumento de casos em Ouro Fino. “A ausência de estruturas adequadas na cidade para que o ciclista possa trafegar com segurança e tranquilidade pelas vias, assim como a falta de campanhas educativas de prevenção relacionados aos motoristas e aos cuidados do ciclista são fundamentais” e ainda acrescentou “O trânsito vale para todos. Sempre temos que priorizar o pedestre e o ciclista e muita gente não faz. Por isso é importante que o ciclista utilize os equipamentos de proteção individual, como o capacete que é prioritário”
Veja se você está seguindo todos os cuidados necessários, na listagem abaixo:
– Sinalize suas intenções.
– Siga e respeite as leis de trânsito.
– Fique sempre visível, usando luzes piscando na parte da frente e na traseira, refletores e roupas coloridas chamativas, seja durante o dia ou à noite.
– Tenha cuidado especialmente em cruzamentos e esquinas.
– Em rodovias ou na cidade, pedale sempre na defensiva. Certifique-se de que os outros veículos possam vê-lo antes de entrar em um cruzamento ou mudar de faixa. Em caso de dúvida, pare e espere.
– Evite grandes velocidades.
– Use sempre os EPIS, como roupa adequada, tornozeleira, cotoveleira, joelheira, capacete e óculos
– Hidrate-se e faça alimentação adequada antes e depois da atividade
– Evite sol excessivo e use protetor solar